11/04/2007

Maria, take II

Maria é uma pessoa comum. Igual a tantas outras. Saída da mesma fornalha de mais de noventa por cento dos mortais.
Maria tem um sorriso alvo que contrasta de forma exímia com o escárnio e maledicência que recebemos em todas as palavras que não diz. Mas que as pensa… porque as pensa. A sua consciência só as deixa pensar. Extraordinário! Maria, afinal, tem consciência…
Mas Maria não tem coragem de dizer tudo o que pensa. E é pena. Porque Maria deve pensar muito…
Maria tem uma maneira de ser que cativa quem a rodeia. E que quase nos faz pensar “porque não somos assim?”. Mas Maria deixa cair a sua “primeira-de-mão-de-verniz” quando, quem a rodeia – aqueles dez por cento -, pára para reparar.
Se há coisa que não mente e não engana é o olhar. E se repararmos no olhar que Maria nos deita e deita a quem passa, e o olhar daquilo que pensa de quem fala, mesmo não dizendo tudo aquilo que pensa (mas pensa-o…), percebemos que Maria cada vez mais é uma pessoa comum.

Nem sempre somos fáceis de entender. E muito menos de gostar. É preciso paciência. Atenção. Dedicar tempo a reparar. E saber esperar.
As coisas não são como queremos. E não podemos moldar os outros como se fossem um bocado de barro – execrável, é certo - nas nossas mãos.
Mas enquanto esperamos e reparamos, construímos as nossas teses mentais. Mortais, é certo. Mas teses.
Maria não deve gostar muito de si. Mas em contrapartida gosta de tudo aquilo que vê nos outros. Independentemente de ver nos outros muito ou pouco…
Independentemente de, aquilo que vê, a leve a ponderar “porque não sou eu assim?”.
Maria tem inveja de tudo o que a rodeia? Não. Maria só sabe ver. Nem concebe que seja possível reparar no que a rodeia.
Mas Maria tem pena de não conseguir ser como tudo o que a rodeia. De não conseguir ter o que quem a rodeia tem. Mesmo que não tenha, mas Maria pensa que tem. Porque Maria até pensa.
Independentemente de ser bom ou mau o que a rodeia. Maria não gosta mesmo de si.

Maria é uma pessoa comum. Maria é mais um. Um comum mortal.
Igual a quase noventa por cento de tudo o que nos rodeia… e por isso Maria não tem necessidade em mudar. Faz parte da maioria. Para o bem ou para o mal, Maria situa-se na maioria.

Abençoados os que não são comuns. Mesmo estando rodeados de pessoas comuns… Mais abençoados sejam esses!
Abençoada Maria que nos faz entender o porquê da nossa diferença. O porquê da nossa minoria.

2 comentários:

Monica disse...

ola maria patrocinia de jesus!
onde que está o Maria take I?
ah?ah?
tá mal... a malta quer lê a continuação, percebe tudo mas... tá mal menina, num pode ser assim.
Bosselência faça o favor de postar o take I.
:P

Anónimo disse...

hmmmmm, já percebi maria etelvina. Postaste algo que já havias postado em 2004. Xiiii, tanto tempo.
PErcebo, este post aplica-se sempre. Marias há muitas, com diferentes nomes e aspectos. As Marias têm esse dom de nos demonstrar como futeis sao certos comportamentos. Não dou muita atenção às Marias. São umas chatas. Pó carago!
Biba a boa disposição e o convivio despretencionado e despreocupado!
Beijinhos
Mónicazzzzz