30/04/2014

Tão isto, mas tão isto.

"There is no present or future, only the past, happening over and over again, now."
Eugene O’Neill


26/04/2014

Maior que o pensamento

Nos sons que nos chegam acompanhados de memórias e coisas nossas.
O jantar já lá vai e é hora de voltar a casa.

Chuva miudinha e um grupo de romenos, turcos, whatever, que sobe a calçada. Entre o barulho dos carros e biciletas que atravessam as poças com as rodas mais ou menos grossas, esse mesmo grupo, fá-lo em fila indiana ordenado por sexo.
Não os entendo, só sei que berram muito, muito, numa língua que não conheço ou sequer compreendo. Homens na frente mulheres atrás. A última mulher berra com o primeiro homem. Berra muito. Não os entendo, só sei que é um berro sentido e compreendido por todos.
No fim da calçada e já na praça, ficam todos reunidos mas ordeiramente divididos. Homens, mulheres. Percebo a dor de ambos. O homem que liderava a subida na sua língua e da maneira que melhor sabe, grita. Grita muito, gritos de dor e chora. De joelhos dá murros no chão. Grita ainda mais. A mulher, que tantos gritos deu, está agora calada com ele ajoelhado no chão. Afagando-lhe a cabeça, aconchega-o entre as saias que veste e chora também. Em silêncio.
Esse grupo de romenos, turcos, whatever, que subiu a calçada aos berros, homens na frente mulheres atrás, esse mesmo grupo que não os percebi, mas que as feições bastaram para a legenda, está calado.
Eles não o deixaram só e elas não a abandonaram.
Ele magoou-a, com actos e omissões. Profundamente. Os barulhos das rodas, das poças e da chuva que caía voltou. Em paz.

01/04/2014

A traição da memória

Não há, com toda a certeza, pior coisa saída do ser humano, que a falta de honra nas palavras de honra que diariamente ouvimos. A quebra de um compromisso. 
Quer dizer, se calhar até há, porque isto do "o que eu mais detesto" é mesmo isso: o resultado do meu "eu". E há tantos eu's quanto os habitantes deste mundo, logo, haverá tantos "o que eu mais detesto" quantos eu's que ao nosso lado respiram.
Mas como estou a falar de moi même, o que o meu eu mais detesta é mesmo isso, a falta de honra.

Falta de palavra, no sentido de palavras que são ditas mas que voam com o vento. Bem, se pensar bem nisto, aquilo que mais detesto acabará por ser o raio do vento que teima em soprar quando as palavras, as tais que supostamente estão carregadinhas de honra, são proferidas.