31/05/2011
17/05/2011
Não temeis, que a firme certeza chegou
Por vezes, cenas da vida real mostram que a Justiça é grande e que grandes são aqueles que em Terra a aplicam. Tão grandes são que nos fazem acreditar, todos os dias e ainda mais quando as nossas "certezas" vacilam.
M. em processo sumário, acusada de furto numa grande superfície sentiu esta verdade na pele. E todos nós, sem excepção, contentes ficamos por saber que a Justiça terrena, em pleno, existiu. Existe e existirá.
M. furtou, sim. Foi apanhada. Confessou de forma livre, integral e sem reservas, com vergonha sentida, genuína e cheia de lágrimas misturada com penas tal qual a música mas por razões de sangue. "Eu não tinha comida. Precisava de alimentar os meus 2 meninos mas não quero recorrer a isto." Sei que isto não se faz, "roubar para dar comida aos meus meninos..." E chorava.
Um exemplo igual a tantos outros furtos. Desempregada, sem subsídio de desemprego, família a seu cargo "que os pais têm outras famílias, sabe? e as pensões de alimentos não chegam para tudo." E chorava.
"As horas de limpeza que faço nas senhoras não são as suficientes. Não posso fazer mais, que os meus meninos precisam de mim em casa. As minhas irmãs - M. é a irmã mais nova de 3 - ajudam, sabe? Mas também têm filhos e nem sempre podem pagar as minhas compras do super e do talho, sabe?." Bem sei que não posso fazer isto dizia M.. E chorava. Mas eu tenho de dar comida aos meus meninos. E chorava. Mas eu não quero ir para a Segurança Social, porque depois ainda fico sem eles. E chorava ainda mais.
Por fora e por dentro choramos todos. Choramos mesmo, porque percebemos que aquelas compras, carne, fruta e legumes, eram para comer. E raios, dói ainda mais. Tanto quanto doeu, saber que a grande superfície não quis fechar os olhos, porque era importante mostrar que aquilo não se faz. "Comprar comida e sair sem pagar, Sra. Dra., não pode ser!" Ainda que soubesse ser verdade a razão. Ainda que soubesse que era comida. E crianças, raios!
Que mundo é este, o que tudo esquece em troca do metal?
É um mundo cão, de facto. Mas ainda há pessoas grandes. Tão grandes que aplicaram uma admoestação. E M. foi para casa com as indicações devidas para ir ao sítio que lhe dará comida sem tirar os meninos.
Foi para casa de alma farta com o banquete a que teve direito, naquela tarde de penas deitada.
E todos nós temos a firme certeza que a Justiça é feita.
(By the way, todos os presentes, fizemos um risco, grave sério e carregado, naquela grande superfície específica).
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Patricia Lousinha
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16/05/2011
Um visionário
19 de Maio (1253-1303)
Ivo, ou melhor, Yves Hélory de Kermartin, filho de um nobre, nasceu em 17 de Outubro de 1253, no castelo da família, na Baixa Bretanha, França. Educado e orientado por sua mãe, muito religiosa, até a idade de catorze anos, recebeu uma sólida formação religiosa e cultural. Nessa ocasião, decidiu continuar os estudos em Paris, acompanhado de seu professor, João de Kernhoz.·
Os próximos doze anos foram dedicados aos estudos de teologia e filosofia na escola de são Boaventura e de direito civil e canónico, na cidade de Orleans, junto ao famoso jurista Peter de la Chapelle. Era muito respeitado no meio académico, aplicado nos estudos e devido à sua vida de piedade muito intensa. Dessa forma, "atender o chamado do Senhor" pelo sacerdócio seria apenas uma questão de tempo para Ivo.·
Actuou como destacado advogado, tanto na corte civil quanto na corte eclesiástica. Aos vinte e sete anos, passou a trabalhar para o diaconato da diocese de Rennes, onde foi nomeado juiz eclesiástico. Pouco tempo depois, o bispo o convocou para trabalhar junto dele na mesma função e consagrou-o sacerdote.·
Ivo, aos poucos, despojando-se de tudo, conformou-se de maneira radical a Jesus Cristo, exortando os seus contemporâneos a fazerem o mesmo, por meio de uma existência diária feita de santidade, no caminho da verdade, da justiça, do respeito pelo direito e da solidariedade para com os mais pobres.·
Os conhecimentos legais estavam sempre à disposição dos seus paroquianos, defendendo todos, ricos e pobres, com igual lisura. Foi o primeiro a instituir, na diocese, a justiça gratuita para os que não podiam pagá-la. A fama de juiz austero, que não se deixava corromper, correu rapidamente e Ivo se tornou o melhor mediador da França, sempre tentando os acordos fora das cortes para diminuir os custos legais para ambas as partes.·
A sua dedicação na defesa dos fracos, inocentes, viúvas e pobres conferiu-lhe o título de "advogado dos pobres". Muitos foram os casos julgados por ele, registrados na jurisprudência, que mostraram bem seu modo de agir. Ficou constatado que, quando lhe eram denunciados roubos de carneiros, bois e cavalos, com a desculpa de impostos não pagos, Ivo ia pessoalmente aos castelos recuperar os animais. Famoso também na caridade.
Contam os devotos que ele tirava a roupa do corpo, mesmo no Inverno, e ia distribuindo aos pobres e mendigos, indo para sua casa muitas vezes só com a camisa. Diz a tradição que, certa vez, deu sua cama a um mendigo que dormia na porta de uma casa e foi dormir onde dormia o mendigo.
Por tudo isso, a saúde ficou comprometida. Em 1298, a doença agravou-se e retirou-se no seu castelo, o qual transformara num asilo para os mendigos e pobres ali tratados com conforto, respeito e fervor. Morreu em 19 de Maio de 1303, aos cinquenta anos de idade. O papa Clemente VI declarou-o santo 1347. Ele é o padroeiro da Bretanha, dos advogados, dos juízes e dos escrivães.
Os próximos doze anos foram dedicados aos estudos de teologia e filosofia na escola de são Boaventura e de direito civil e canónico, na cidade de Orleans, junto ao famoso jurista Peter de la Chapelle. Era muito respeitado no meio académico, aplicado nos estudos e devido à sua vida de piedade muito intensa. Dessa forma, "atender o chamado do Senhor" pelo sacerdócio seria apenas uma questão de tempo para Ivo.·
Actuou como destacado advogado, tanto na corte civil quanto na corte eclesiástica. Aos vinte e sete anos, passou a trabalhar para o diaconato da diocese de Rennes, onde foi nomeado juiz eclesiástico. Pouco tempo depois, o bispo o convocou para trabalhar junto dele na mesma função e consagrou-o sacerdote.·
Ivo, aos poucos, despojando-se de tudo, conformou-se de maneira radical a Jesus Cristo, exortando os seus contemporâneos a fazerem o mesmo, por meio de uma existência diária feita de santidade, no caminho da verdade, da justiça, do respeito pelo direito e da solidariedade para com os mais pobres.·
Os conhecimentos legais estavam sempre à disposição dos seus paroquianos, defendendo todos, ricos e pobres, com igual lisura. Foi o primeiro a instituir, na diocese, a justiça gratuita para os que não podiam pagá-la. A fama de juiz austero, que não se deixava corromper, correu rapidamente e Ivo se tornou o melhor mediador da França, sempre tentando os acordos fora das cortes para diminuir os custos legais para ambas as partes.·
A sua dedicação na defesa dos fracos, inocentes, viúvas e pobres conferiu-lhe o título de "advogado dos pobres". Muitos foram os casos julgados por ele, registrados na jurisprudência, que mostraram bem seu modo de agir. Ficou constatado que, quando lhe eram denunciados roubos de carneiros, bois e cavalos, com a desculpa de impostos não pagos, Ivo ia pessoalmente aos castelos recuperar os animais. Famoso também na caridade.
Contam os devotos que ele tirava a roupa do corpo, mesmo no Inverno, e ia distribuindo aos pobres e mendigos, indo para sua casa muitas vezes só com a camisa. Diz a tradição que, certa vez, deu sua cama a um mendigo que dormia na porta de uma casa e foi dormir onde dormia o mendigo.
Por tudo isso, a saúde ficou comprometida. Em 1298, a doença agravou-se e retirou-se no seu castelo, o qual transformara num asilo para os mendigos e pobres ali tratados com conforto, respeito e fervor. Morreu em 19 de Maio de 1303, aos cinquenta anos de idade. O papa Clemente VI declarou-o santo 1347. Ele é o padroeiro da Bretanha, dos advogados, dos juízes e dos escrivães.
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Patricia Lousinha
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14/05/2011
Don't let it bring you down
"... And then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain and I can't feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life... You have no idea what I'm talking about, I'm sure. But don't worry... you will someday."
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13/05/2011
Vila Nova de Gaia e a Semana do Advogado
Dia 17, terça-feira
Dia da Consulta Jurídica Gratuita
Das 10 às 12 e das 14 às 17, nas instalações desta Delegação.
(inscrições até dia 16)
Dia 19, quarta-feira,
Aprimorado Porto d’honra, a ter lugar nesta Delegação a partir das 17 horas
(livre de inscrições)
Dia 20, sexta-feira
Visita às Caves Calem, pelas 17 horas, seguida de prova de vinhos.
Preço por pessoa: 2€
(inscrições até dia 19)
Lembramos ainda que, inserido no Dia Internacional dos Museus, com o tema Museus e Memória, poderão visitar o Museu Judiciário do Tribunal da
Relação do Porto, nos dias 14 de Maio, das 15h às 18h e dias 16, 17 e 18, das 9h às18h.
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Patricia Lousinha
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